A televisão brasileira vive, em 2026, o momento de maior representatividade já registrado desde que levantamentos do tipo começaram a ser feitos, há pouco mais de uma década. É o que aponta um estudo inédito conduzido pela Rede Diversa em parceria com pesquisadores de comunicação, que analisou a grade de programação das principais emissoras do país ao longo dos últimos doze meses.
Segundo o levantamento, personagens e apresentadores LGBTQIA+, negros e com deficiência ocupam hoje uma fatia significativamente maior da programação em horário nobre do que em qualquer período anterior mapeado pela pesquisa. O crescimento é atribuído tanto à pressão do público quanto a mudanças internas nas emissoras, que passaram a tratar a diversidade como parte da estratégia de audiência — e não apenas como pauta pontual.
O que mudou nos bastidores
Executivos ouvidos pela reportagem apontam que a virada começou nas salas de roteiro. Novelas e séries recentes passaram a incluir consultores de diversidade desde a etapa de desenvolvimento, evitando estereótipos que marcaram produções de décadas passadas. Também cresceu o número de diretores, roteiristas e produtores de grupos historicamente sub-representados assumindo posições de decisão — não só diante, mas atrás das câmeras.
"Não basta colocar um personagem diverso na tela se quem conta a história continua sendo sempre o mesmo grupo."
Essa mudança de bastidores, segundo especialistas, é o que garante que a representatividade não seja superficial. Quando roteiristas e diretores pertencem aos grupos que estão sendo retratados, a tendência é que as tramas ganhem mais nuance e menos clichê — um ponto que o público tem notado e valorizado, de acordo com pesquisas de audiência qualitativa citadas no estudo.
O que ainda falta avançar
Apesar do avanço, o levantamento é enfático ao apontar que a representatividade continua concentrada em papéis coadjuvantes e teor de programação. Protagonismo, cargos de chefia em emissoras e presença em cargos de comando editorial ainda são exceção, não regra. A pesquisa recomenda que o setor trate 2026 como ponto de partida, não de chegada — com metas mais ambiciosas para os próximos ciclos de programação.
A Rede Diversa vai acompanhar o tema ao longo do ano, com novas reportagens e entrevistas com profissionais da indústria audiovisual sobre os próximos passos dessa transformação.